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  • Ana Marangoni

CARO X BARATO

Já faz muito tempo que esses dois termos, muito usados no dia-a-dia de todo mundo, vêm me incomodando um pouquinho. Aqui no escritório, costumo dizer (me apoderando de uma fala bastante popular) que eu mexo com o órgão mais sensível do corpo humano: o bolso do cliente. Diante disso, costumo escutar muito as duas palavrinhas que estão no título desse texto. E é justamente esse uso em larga escala que me incomoda.

Costuma-se falar que é caro tudo aquilo pelo qual eu não posso (ou não quero) pagar e que é barato o oposto disso. Porém, se no fim das contas eu estou fazendo um julgamento diante das minhas condições ou vontades individuais, CARO e BARATO tornam-se conceitos individuais, não é mesmo? E se esses conceitos são individuais, por que costumamos generalizar o uso deles?

Dizer que algo é CARO ou BARATO sem me colocar como protagonista dessa conclusão é me colocar como juiz de valores de produtos que, muitas vezes, eu nem conheço os processos ou o porquê daquele custo. Um pouco prepotente isso, não é mesmo? Exemplifico: você solicitou um orçamento da marcenaria da sua casa. O marceneiro é ótimo, foi muito bem indicado tanto pelo arquiteto que fez seu projeto quanto por dois amigos que já executaram com ele. Quando o orçamento chega, a verdade: um baita montante de dinheiro (sim, a marcenaria é uma das partes mais custosas de uma obra). Você acha aquilo um absurdo, o cara é louco, está querendo ficar rico muito rápido (parênteses para dizer que essa é uma expressão que me irrita profundamente... há algo de errado em querer ficar rico?), o preço está “fora” (sendo que você não é um perito em preços de marcenaria para dizer se está ou não fora)... em resumo, você sai falando de forma conclusiva e universal que esse marceneiro “É CARO”. Mas calma aí, ele tem serviço? TEM. Existem pessoas que estão pagando o que ele cobra? SIM, tanto que o prazo de entrega dele é de 90 dias... então calma aí, não é ele que é caro (de forma universal), é você que não pode ou não quer pagar por ele. E não tem nada de errado com isso. Você é totalmente livre para buscar soluções que se encaixem no seu bolso, mas isso não desvaloriza o trabalho do outro nem o obriga a atender as suas expectativas de gastos.

Não sabendo usar esses termos CARO e BARATO de forma correta e individualizada, muitas pessoas acabam caindo no maior erro que pode existir na hora dos orçamentos: comparar itens que não podem ser comparadas porque simplesmente não são iguais. O marceneiro que tem equipamentos, maquinário, equipe especializada com aquele que trabalha com poucas ferramentas nos fundos da casa; o ceramista que é especializado, tem cursos, investe em melhores formas de executar seu serviço com aquele pedreiro que “é, a gente também põe piso nas parede”; a cadeira assinada por um famoso designer com aquela que você viu no Mercado Livre por um décimo do valor (e olha que isso aqui rende uma história também heim, o tal do plágio).... Coisas que não são idênticas e que não possuem o mesmo padrão não são comparáveis. Dessa forma, não podem ser chamadas de CARAS ou BARATAS. A não ser que você se coloque como protagonista e, atrás dessas palavrinhas, acrescente PARA O MEU BOLSO.

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